
Esse post é um resumo do debate que se seguiu apos a visão exposta pela Milene Sodré a respeito do livro Festa Infinita que foi ao ar pelo site e-Music Brasil na manhã de quinta feira (23/04) e enviado para o Plurall logo em seguida pela redação do e-Music Brasil. Milene além de produtora cultural e jornalista é uma das personagens do livro que critica por considerar que sua participação no livro foi sem seu consentimento além de se declarar ofendida com a forma com que seus diálogos com o grupo de sexo explícito, Fuck For Forest, foi traduzido no livro.
O jornalista Tomás Chiaverini autor do livro participou das discussões e trouxe a tona suas considerações a respeito do olhar negativo com que sua proposta literária tem sido encarada pela comunidade eletronica.
Tomás Chiaverini
Muito tem se falado, no meio eletrônico, sobre o livro “Festa Infinita”, que acabo de lançar. A maioria das críticas tem sido positiva, mas mesmo quando há comentários negativos, tenho os recebido em silêncio. Todos têm o direito de omitir suas opiniões livremente. Vez ou outra, contudo, os críticos exageram, chegando a disseminar boatos e fatos inverídicos. É esse o caso da resenha acima (de Milene Sodré), e é neste caso que me sinto na obrigação de responder…
2) Eu realmente publiquei um diálogo sem autorização dela, como apontado no texto. Acontece que, seguindo a ética jornalística para ocasiões deste tipo, não a identifiquei no texto. Repito, seu nome não aparece no texto.
3) O grupo Fuck for Forest, cujos integrantes têm o nome citado, concordaram em ser retratados no livro.
4) Eu tinha autorização dos produtores do festival para cobrir o evento e retratar todos os seus detalhes, desde que preservando o direito de privacidade dos participantes, como foi feito no caso de Milene Sodré, até que ela resolveu se identificar na própria resenha.
9) Não recolhi informações de forma sorrateira, e sim investigativa. Todas as pessoas que tiveram o nome retratado no livro concordaram com isso e sabiam estar diante de um repórter.
10) Meu trabalho não se enquadra no jornalismo marrom, não é sensacionalista, e muito menos superficial. Passei um ano estudando o mesmo assunto e entrevistei quase 100 pessoas.
A resposta completa você pode ler aqui
Julgamentos a respeito do livro que se baseia em relatos de evidência factual seria errôneo de nossa parte, porem o que foi debatido foi a forma como esses relatos foi capturado.
O que fica claro até aqui é que a comunidade eletrônica se sentiu traida após a publicação do livro em que sua interpretação não foi de acordo com o que os envolvidos esperavão.
“Abrimos as portas com o coração aberto. Esperava um livro falando Da Cena Trance.” - Murilo Ganesha
Recebi o livro quarta feira (22/04) de presente de um amigo e parei a leitura diante de vários comentários de personagens que estão se reconhecendo no livro, dizendo que o material não foi recolhido da melhor maneira. O texto da Milene Sodré me chegou exatamente em um momento em que eu já estava conversando com alguns desses personagens e até agora nenhum deles se declara de acordo com a exposição que o livro esta causando. Esse é um ponto um tanto quanto obscuro, pois não teremos como saber se foi ou não autorizado. De qualquer podemos nos ater apenas nos relatos, que são reais.
O que muito tem criado polemica e gerado parte dessa visão negativa sobre o livro é a forma como a editora vem expondo o livro; “Mais do que isso, o trabalho do autor, sempre baseado em fatos concretos e pesquisas em profundidade, cumpre com competência a missão de lançar um brado de alerta sobre a preocupante realidade desse ‘entorpecente mundo’, no qual mergulham de cabeça, quase todos os dias, muitos milhares de jovens em busca de novas – e perigosas – experiências”.

Se formos olhar o livro segundo o autor e seu blog na internet, até observamos imparcialidade, porem as peças publicitária da editora Ediouro estão sendo usadas pra transformar o livro em um “alerta sobre o monstro das raves”. Isso descaracteriza e gera um conflito direto com a idéia que o autor faz de sua própria obra:
“um livro que deveria ser encarado, no mínimo, como uma tentativa de documentar esse mundo. Um livro que tem uma narrativa no ritmo das festas, que se mistura a esse movimento a ponto de quase fazer parte dele.” - Tomás Chiaverini
Após minha colocação sobre essa péssima impressão estimulada pela editora o autor justificou da seguinte forma:
“Roosevelt, as frases que vc grifou não são minhas. São do prefácio do livro. Não estão no meu site, estão no site da editora. O meu trabalho não é vender o livro e sim escrever. Não respondo pelo marketing da editora, e sim pelo conteúdo do meu texto.”
“Meus caros, vocês podem espernear, xingar e praguejar, mas meu trabalho é, sim, um documento dessa contracultura que vocês tanto amam. É jornalismo, não publicidade, então temos vários lados lá retratados. Claro que é uma visão parcial, mas em nenhum momento eu disse que não seria. Simplesmente porque, como qualquer aluno de jornalismo sabe, a imparcialidade não existe. E quando se busca ela a qualquer custo, temos o jornalismo sem graça, hipócrita e quadrado da grande imprensa em geral.” - Tomás Chiaverini
A polemica, queira ou não, já estava no ar com o subtítulo do livro “o entorpecente mundo das raves”. É inevitável não soar sensacionalista, assim como é inevitável impedir esse sentimento que toma os amantes da musica eletrônica e todos nós que trabalhamos e mais do que isso, temos esse universo pulsando em nossas vidas diante do que parece ser mais um flashback da feroz perseguição que a mídia fez e ainda faz em cima de nosso movimento, mesmo não sendo esse o caso do livro de acordo com seu autor.
A interpretação que cada um vai dar pro livro e a repercussão disso tudo vai ser algo que teremos que assistir juntos, porem de forma alguma devemos deixar que aceitem que o Trance, que a musica eletrônica é só isso…”entorpecente”. E infelizmente muitos “cabeçudos” vão ver só isso, mas temos plena convicção que o Trance é muito mais do que isso e assim seguiremos sem mais desgaste sobre a proposta do livro, que por sinal já esta em varias livrarias físicas. Compre e analise você mesmo. Sua impressão é a que vale.

Blog do autor: Antes da Estante - Os bastidores de um livro-reportagem.
Debate: http://www.plurall.com/forum/plurall-doc/colunas/25306-festa-infinita-cuidado/