domingo, 10 de maio de 2009

Estamos em novo endereço


Olá caro leitor.

O conteúdo desse blog agora esta em novo endereço.

Estava mantendo dois blogs praticamente com o mesmo conteúdo e nesse momento estou me mudando de vez pro Blog do Roosevelt dentro do Plurall.com

Espero que continuem acessando. Algumas pessoas estão relatando problemas de acesso no blog do Plurall, porem já estou solucionando mas já adianto que o problema é com o navegador Internet Explorer. Aconselho usar o Mozilla Firefox ou qualquer outro que não seja o IE.

Beijos pra quem é de beijo e abraços pra quem é de abraço. Nos vemos no novo endereço.

Blog do Roosevelt


quinta-feira, 7 de maio de 2009

Marcha da Maconha 2009 - Rio de Janeiro


A Marcha da Maconha acontece em mais de 200 cidades no mundo, sendo 13 no Brasil nos dias 2, 3 e 9 de Maio. No Rio de Janeiro a Marcha está marcada para o dia 9 de maio, com concentração no Posto 9 da praia de Ipanema começando as 15 hr. Diferente do ano passado, quando a Marcha foi reprimida em quase todo o país, nesse ano a justiça já legitimou a manifestação no Rio.

Dessa forma, o coletivo Marcha da Maconha vem prestando contribuição à difícil tarefa de fazer do Brasil um país melhor e um verdadeiro Estado Democrático de Direito.

O Coletivo Marcha da Maconha Brasil reafirma que suas atividades não têm a intenção de fazer apologia à maconha ou ao seu uso, nem incentivar qualquer tipo de atividade criminosa. As atividades do Coletivo respeitam não só o direito à livre manifestação de idéias e opiniões, mas também os limites legais desse e de outros direitos.

RIO DE JANEIRO
Ipanema - Posto 9, 15hs


terça-feira, 5 de maio de 2009

Conheça o artista paulistano, Alexandre Segrégio

Porque agora somos capazes de tomar conhecimento de tudo que acontece no planeta quase em tempo real, o olhar contemporâneo tornou-se insaciável. A produção do olhar viciou a visão. O vertiginoso fluxo da produção artística hodiema apenas alimenta a insaciabilidade do olhar. Este, portanto, deixou de ser seletivo para se fazer voraz.

(Duchamp, percebendo que os artistas também contribuíam de diferentes formas, suportes e texturas, para o acúmulo de objetos no planeta, antecipou-se ao caos imagético optando pela parcimônia: apenas uma vez por ano aconteceria de dar vazão ao seu próprio fluxo produtivo. E, sabiamente, começou a jogar, inumeráveis partidas de xadrez...).

A indústria de consumo, da qual a produção artística pós-moderna é filha dileta, proporcionou a globalização do olhar. Assim, raramente, o homem vê verdadeiramente. E o que ressalta aos olhos, capaz de surpreendê-lo - indo além da retina para uma contemplação refinada e extasiante - se tornou rarefeito. Implantou-se a indústria da repetição e o discernimento do olhar foi turvado.

A arte de Alexandre Segrégio é capaz de reter a retina da voracidade medíocre e de canalizá-la à contemplação e a reflexão. Sua obra é uma ruptura com o "dejá-vu", um freio à superficialidade dos adornos e uma surpresa a torrente sem conceitos da arte consumista.


Visionário, suas pinturas nos deslocam para vivências outras, de planos e sentidos, nos instigando a investigar o nosso poder de mentalizar e sonhar, e as dimensões cósmicas, infinitas do sonho. Suas visões jamais nos alienam do contexto, ainda que indefinido da realidade, mas nos remetem a intimidade da mãe natureza, seus fluxos vibratórios e torrentes de energia, proporcionando uma interação mágica do olhar com a plenitude do sentir.

Sua técnica refinada está a serviço de um processo que nos deixa perplexos e maravilhados ante o que o artista re(colhe): da sua imaginação como instrumento de saber e como identificação com o invisível do mundo. E quem mais que o artista para ascender a esse grau de contato com a natureza, visualizando suas mais sutis emanações? Quem mais para nos traduzir as maravilhas pictóricas colhidas dos seus momentos de ascese? Quem mais que ao artista para fazer luzir a luz em nossas retinas tão carentes da real luminosidade?

Reprimir o olhar - das imagens que transtornam e alienam - e direcioná-lo a contemplação das visões do artista Alexandre Segrégio, será um imprescindível exercício de zelo pela saúde dos nossos olhos, corações e mentes.

Aqui, a arte que se faz a serviço da investigação e da ampliação de nossas percepções no concede ainda, prazerosamente, elementos para um aprimoramento muito além dos sentidos.


Mais sobre sua arte você encontra aqui: http://www.alexandresegregio.art.br/

quarta-feira, 29 de abril de 2009

Innovation 1 ano


Dia 30 agora vai rolar a festa de um ano da Innovation em nikiti city no Pub Monte Cristo.
O Pub que nasceu humilde ao lado de um mega club (pra Niterói). Que servia de pré-night e encontro de amigos foi crescendo, crescendo, investiu em reformas, e em atrações de peso e hoje desbanca o mega clube que já nem lembro mais o nome…


O Monte Cristo sempre me agradou mais, por questão de gosto mesmo, pois ele mistura um ambiente pub com clubinho e lounge área.

No comando da pista estão os djs Karma Project (Gabriel Torres & Giu Lara), Rafael Abiramia, que agora também é produtor, com o EP We Love Brasil lançado esse mês pela UC Music. Lucas Aguiar, dj que sempre mandou bem e pude participar de seus primeiros passos assinando em baixo de seu desempenho nas mixagens. Le-on B2B Pedro Kurdian, ambos djs de Niterói, com bom gosto e leitura de pista. Já vi os dois tocando separados e o som é completamente diferente um do outro e juntos acho que vai rolar uma experimentação interessante. Ah…vai ter o Gabe Live também (ponto).

O grande barato da noite, além de todas as atrações que citei acima, vai ser o lançamento do Luthier LIVE que é o projeto paralelo do Thiago Vieira e Romulo Ávila, mais conhecidos por Orbital Vision ôOo Fullon dos bons!!!

Conversando com o Thiago perguntei da onde surgiu esse nome, demonstrando minha total ignorância a respeito da liuteria. Luthier refere-se a quem faz instrumentos e peças de instrumentos, cuida da parte elétrica e acústica e também da regulagem do mesmo de forma artesanal.

Passado o momento Wikipédia por Thiago Viera…rs.. Fizemos um rápido bate bola sobre o novo projeto:

Apresente o Luthier pros leitores do Plurall.

R.: A ideia do projeto e uma mistura do Techno, Tech House e Progressive House, tendo influencias tambem de outras vertentes.

Alias, como é pra vocês que já tem um projeto como o Orbital Vision, começarem um novo projeto totalmente diferente do som do Orbital. Da frio na barriga? Tem aquele misto de sentimento de insegurança e ao mesmo tempo paixão por estar trabalhando algo novo?

R.: Da um frio na barriga sim mas inseguranca nunca, sao 7 anos produzindo o que da uma certa seguranca quanto ao nosso trabalho, e temos certeza que o público corresponderá.

Que produtores ou DJ vocês admiram hoje, e o Luthier, traz alguma influencia dessa admiração?

R.: Tem muitos dj`s e produtores bons que nos influenciam, admiramos muito Nikitin & Semikashev, Booka Shade, Hugo, Gui Boratto entre outros.

Lançamento sendo feito agora dia 30 na Innovation. Como esta a expectativa pra testar essa nova sonoridade com o publico?

R.: A expectativa é sempre muito grande, nossa intenção é agradar a todos. Nós já sentimos um pequeno gostinho da reação do público com o Ricardo Estrella e Flow e Zeo tocando uma track nossa. Acreditamos que todos irão curtir muito com as músicas.

2009 ou 2010, esse ano doido mal começou e já esta quase no fim…rs..Alguma novidade sobre o Luthier que já possa nos adiantar?

R.: Sim, para maio vamos lançar pela Tropical Beats uma Track em parceria com Petrucci (Lisboa & Petrucci) que estará a venda em sites como BeatPort. Pela gravadora Lo Kik vamos lançar um EP Digital com 2 ou 3 tracks ainda a ser definido, que sairá entre junho e julho. Para o segundo semestre ainda será definido mas pretendemos lançar muitas outras tracks. Enquanto essas tracks não são lançadas convidamos a galera do plurall para escutar algumas tracks no
www.myspace.com/luthierlive .

= = =

Ao vivo só dia 30 mesmo. Mas ta pertinho. Véspera de feriado, quinta-feira agora!
Nos vemos la.

terça-feira, 28 de abril de 2009

Registros de uma identidade

Há algum tempo pesquiso a musica eletrônica como movimento de transformação cultural e nesse caminho encontrei muitas pessoas e referencias que não me deixam passar por maluco (afinal às vezes parece que falamos grego). Assim vejo que não sou o único a encarar a coisa toda por uma perspectiva que respeita as origens, que alias, vem sendo sucessivamente vendida como “arcaica”, retraindo muita gente criativa, porem já cansada desse show.

Como exemplo pra ilustrar a difícil subjetividade do que vou tentar expressar aqui, começo falando sobre Love Saves The Day. Um livro escrito por Tim Lawrence e lançado em 2003, com 500 paginas que retratam o surgimento em Nova York da cultura da Disco Music entre o período de 1970 e 1979.

Muita coisa boa estava sendo gerada nessa época e não havia casas noturnas ou locais pra tocar e experimentar essa nova criação musical.
Um personagem importantíssimo chamado David Mancuso, percebeu essa necessidade e começou a fazer festões em seu Loft (“Love Saves The Day” foi o nome de uma das festas do Loft) onde entrava somente convidados, porem não por elitismo, mas por reconhecer que ali estava se formando uma tribo, pessoas a fim de se plugar e construir algo mais elevado. O livro explica isso belissimamente.

Mancuso cobrava um valor simbolico, onde até mesmo os menos favorecidos economicamente podiam pagar, pois sua idéia era criar integração com as diferentes camadas sociais. Ele acreditava que aquela musica era uma poderosa ferramenta de união e que através dessa musica e dessa união que ocorria ali se atingia um pico de energia, com enorme potencial transformador.

As festas eram preparadas com muito carinho. Era pensada uma atmosfera, e pra isso com muito empenho era programado o som, luz, decoração com muitas cores e espaços confortáveis pra gerar dança e socialização entre os participantes. E assim nasceu toda uma geração de festas e casas noturnas embaladas pela e-music.

A musica eletrônica não era usada pra atingir objetivos individuais. O dj não era mais importante do que o publico, sendo a energia e a dança o que tornava aquela experiência única, o que dava vida e sentido a festa.
A diversão não era uma fuga de problemas e responsabilidades, pelo contrario era encarada como oportunidade de se “encontrar” e se fortalecer mudando as coisas feias da época.


O livro apresenta também o caminho da ascensão e queda dessa indústria Disco que se formou. Do entusiasmo inicial - quando editoras e artistas descobriram o poder concentrado nas mãos dos DJs, capazes de transformar temas obscuros em grandes sucessos sem a interferência da rádio – até à desilusão final – quando a indústria percebeu que a massificação excessiva desfigura a proposta original, saturando tudo.

“Love Saves The Day” é igualmente uma história dos traços iniciais da cultura gay de Nova Iorque que descobriu nos clubes noturnos a plataforma perfeita para a celebração da sua diferença. Praticamente todos os clubes importantes da primeira metade dos anos 70 eram, em diferentes proporções, freqüentados por homossexuais – negros, latinos e brancos. Foi essa identidade sexual que permitiu que, no final da década, a cultura Disco de Nova Iorque fosse capaz de sobreviver à cultura anti-Disco (e homófobica) nascida na rádio, direcionada pra elite glamourosa representada no Studio 54: Tim Lawrence parece dizer-nos que sempre que a atenção divergiu da pista de dança e dos dançarinos para uma pose artificial, construída para a mídia feita de calculados gestos visuais, se perde de sua origem e segue pra decadência.

A virtude máxima encontrava-se por isso mesmo no Loft: uma festa privada organizada por um DJ visionário onde nada se vendia (comida e bebidas não alcoólicas eram grátis) e onde o dinheiro das contribuições individuais servia para evoluir e experimentar sonoridades em um sound system perfeito de um encontro utópico.
Atualizando o tema do livro pros dias de hoje, vemos a deformação de tudo que foi plantado no inicio, e ainda ser aplaudida.


Hoje muitas pessoas se viciaram em encarar a noite como fuga, a dança como produto de compra e a musica como veiculo pra legitimar “ser tudo aquilo que sonho ser”, que posso e tenho o direito de comprar, afinal a propaganda esta me vendendo isso, então, então eu compro mesmo e danço, danço nas mãos das corporações que me vestem e que ordenam até onde eu posso ir com o meu dinheiro e minha falta de espontaneidade na dança.
Cada vez que observo isso acontecer e me pego escrevendo sobre isso, tentando dialogar sobre essa inversão de valores, percebo que a coisa é muito simples, porem pra ser aceita por min, ganha uma ótica infantil.


É duro aceitar, mas tem gente que gosta de ser apenas um numero customizado, que adora ser vitima da propaganda …



Bibliografia:

Hitdabreakz / Discomusic / Oresgate

sábado, 25 de abril de 2009

Festa Infinita - Esclarecimentos



Esse post é um resumo do debate que se seguiu apos a visão exposta pela Milene Sodré a respeito do livro Festa Infinita que foi ao ar pelo site e-Music Brasil na manhã de quinta feira (23/04) e enviado para o Plurall logo em seguida pela redação do e-Music Brasil. Milene além de produtora cultural e jornalista é uma das personagens do livro que critica por considerar que sua participação no livro foi sem seu consentimento além de se declarar ofendida com a forma com que seus diálogos com o grupo de sexo explícito, Fuck For Forest, foi traduzido no livro.

O jornalista Tomás Chiaverini autor do livro participou das discussões e trouxe a tona suas considerações a respeito do olhar negativo com que sua proposta literária tem sido encarada pela comunidade eletronica.

Tomás Chiaverini

Muito tem se falado, no meio eletrônico, sobre o livro “Festa Infinita”, que acabo de lançar. A maioria das críticas tem sido positiva, mas mesmo quando há comentários negativos, tenho os recebido em silêncio. Todos têm o direito de omitir suas opiniões livremente. Vez ou outra, contudo, os críticos exageram, chegando a disseminar boatos e fatos inverídicos. É esse o caso da resenha acima (de Milene Sodré), e é neste caso que me sinto na obrigação de responder…

2) Eu realmente publiquei um diálogo sem autorização dela, como apontado no texto. Acontece que, seguindo a ética jornalística para ocasiões deste tipo, não a identifiquei no texto. Repito, seu nome não aparece no texto.

3) O grupo Fuck for Forest, cujos integrantes têm o nome citado, concordaram em ser retratados no livro.

4) Eu tinha autorização dos produtores do festival para cobrir o evento e retratar todos os seus detalhes, desde que preservando o direito de privacidade dos participantes, como foi feito no caso de Milene Sodré, até que ela resolveu se identificar na própria resenha.

9) Não recolhi informações de forma sorrateira, e sim investigativa. Todas as pessoas que tiveram o nome retratado no livro concordaram com isso e sabiam estar diante de um repórter.

10) Meu trabalho não se enquadra no jornalismo marrom, não é sensacionalista, e muito menos superficial. Passei um ano estudando o mesmo assunto e entrevistei quase 100 pessoas.

A resposta completa você pode ler aqui

Julgamentos a respeito do livro que se baseia em relatos de evidência factual seria errôneo de nossa parte, porem o que foi debatido foi a forma como esses relatos foi capturado.
O que fica claro até aqui é que a comunidade eletrônica se sentiu traida após a publicação do livro em que sua interpretação não foi de acordo com o que os envolvidos esperavão.

“Abrimos as portas com o coração aberto. Esperava um livro falando Da Cena Trance.” - Murilo Ganesha

Recebi o livro quarta feira (22/04) de presente de um amigo e parei a leitura diante de vários comentários de personagens que estão se reconhecendo no livro, dizendo que o material não foi recolhido da melhor maneira. O texto da Milene Sodré me chegou exatamente em um momento em que eu já estava conversando com alguns desses personagens e até agora nenhum deles se declara de acordo com a exposição que o livro esta causando. Esse é um ponto um tanto quanto obscuro, pois não teremos como saber se foi ou não autorizado. De qualquer podemos nos ater apenas nos relatos, que são reais.

O que muito tem criado polemica e gerado parte dessa visão negativa sobre o livro é a forma como a editora vem expondo o livro; “Mais do que isso, o trabalho do autor, sempre baseado em fatos concretos e pesquisas em profundidade, cumpre com competência a missão de lançar um brado de alerta sobre a preocupante realidade desse ‘entorpecente mundo’, no qual mergulham de cabeça, quase todos os dias, muitos milhares de jovens em busca de novas – e perigosas – experiências”.





Se formos olhar o livro segundo o autor e seu blog na internet, até observamos imparcialidade, porem as peças publicitária da editora Ediouro estão sendo usadas pra transformar o livro em um “alerta sobre o monstro das raves”. Isso descaracteriza e gera um conflito direto com a idéia que o autor faz de sua própria obra:

“um livro que deveria ser encarado, no mínimo, como uma tentativa de documentar esse mundo. Um livro que tem uma narrativa no ritmo das festas, que se mistura a esse movimento a ponto de quase fazer parte dele.” - Tomás Chiaverini

Após minha colocação sobre essa péssima impressão estimulada pela editora o autor justificou da seguinte forma:

“Roosevelt, as frases que vc grifou não são minhas. São do prefácio do livro. Não estão no meu site, estão no site da editora. O meu trabalho não é vender o livro e sim escrever. Não respondo pelo marketing da editora, e sim pelo conteúdo do meu texto.”

“Meus caros, vocês podem espernear, xingar e praguejar, mas meu trabalho é, sim, um documento dessa contracultura que vocês tanto amam. É jornalismo, não publicidade, então temos vários lados lá retratados. Claro que é uma visão parcial, mas em nenhum momento eu disse que não seria. Simplesmente porque, como qualquer aluno de jornalismo sabe, a imparcialidade não existe. E quando se busca ela a qualquer custo, temos o jornalismo sem graça, hipócrita e quadrado da grande imprensa em geral.” - Tomás Chiaverini

A polemica, queira ou não, já estava no ar com o subtítulo do livro “o entorpecente mundo das raves”. É inevitável não soar sensacionalista, assim como é inevitável impedir esse sentimento que toma os amantes da musica eletrônica e todos nós que trabalhamos e mais do que isso, temos esse universo pulsando em nossas vidas diante do que parece ser mais um flashback da feroz perseguição que a mídia fez e ainda faz em cima de nosso movimento, mesmo não sendo esse o caso do livro de acordo com seu autor.
A interpretação que cada um vai dar pro livro e a repercussão disso tudo vai ser algo que teremos que assistir juntos, porem de forma alguma devemos deixar que aceitem que o Trance, que a musica eletrônica é só isso…”entorpecente”. E infelizmente muitos “cabeçudos” vão ver só isso, mas temos plena convicção que o Trance é muito mais do que isso e assim seguiremos sem mais desgaste sobre a proposta do livro, que por sinal já esta em varias livrarias físicas. Compre e analise você mesmo. Sua impressão é a que vale.


Blog do autor: Antes da Estante - Os bastidores de um livro-reportagem.
Debate: http://www.plurall.com/forum/plurall-doc/colunas/25306-festa-infinita-cuidado/

sexta-feira, 24 de abril de 2009

Festa Infinita - Cuidado!

ELES SÃO MUITOS, MAS NÃO SABEM VOAR


Por Milene Sodré (*)

Foi lançado recentemente, pela editora Ediouro, o livro Festa Infinita, o entorpecente mundo das raves, de Tomás Chiaverini. Logo de cara pensei “lá vem mais uma daquelas publicações falando sobre drogas”. Mas o que viria a seguir era pior do que apenas mais uma matéria falando do mesmo tópico de sempre.

O falatório na internet entorno do assunto era tanto que resolvi dar uma olhada em alguns trechos do livro e entrevistas a respeito. Ironia do destino, ou não, deparei de primeira com a tradução de uma conversa minha com Tommy, um dos integrantes de um grupo estrangeiro de sexo explícito, o Fuck For Forest, contratados para um show, em ambiente fechado e restrito para maiores, em uma festa de arte e cultura alternativa, que acontece já há alguns anos na calorosa Bahia.

O jovem escritor começa a transcrição da conversa, analisada e publicada sem autorização, da seguinte forma: “a produtora, com seu inglês abrasileirado (...)”, e mais adiante continua: “Tommy, com seu inglês perfeito (...)”. Ora bolas, o que tem haver se meu inglês tem sotaque ou não, o que importa é que a comunicação seja estabelecida entre ambas as partes, fato que sempre ocorreu nas minhas conversas informais, viagens e trabalhos. Tommy fala inglês fluentemente porque nasceu e cresceu na Europa, ele é o típico viajante, era o mínimo a se esperar, por isso não entendi a necessidade da comparação do autor. A princípio achei um tanto quanto preconceituoso, mas relevei.
A história no livro prossegue, deixo passar mais uma ou duas coisinhas que me parecem estranhas até que chega “o grand finale” onde, catastroficamente, o autor traduz uma idéia minha ao Tommy da seguinte forma: “as pessoas da região são pobres, não tem nem o que comer, como você espera que elas entendam o amor?” Meu Deus! Tudo bem que meu inglês não seja incrível como de Tommy, mas não saber a diferença entre amor e sexo seria demais. Hoje, no Brasil, até uma criança sabe a diferença entre LOVE e SEX. E, de fato, o que disse é que a comunidade local não entenderia free sex (sexo livre).




Passei 15 dias com o grupo antes do show, fora as horas de leitura e pesquisa prévia na internet sobre o trabalho deles, estava cansada de saber que o lance não era fazer amor e sim sexo explícito mesmo, sexo livre, com todo e qualquer um que se dispusesse a participar, tudo em prol da natureza, até por isso eles se definem como um grupo de eco porn (pornô ecológico). Que transcrição infeliz essa. Sem autorização para entrevista, muito menos para publicação, além da falta de fidelidade com as palavras.

Outras pessoas citadas no livro, profissionais respeitados, que trabalham há anos na cena, que geram emprego e renda para centenas de pessoas em seus encontros, me relataram o mesmo problema. O livro é uma festa infinita de transcrições distorcidas e palavras não autorizadas à publicação.

Em uma entrevista do autor para um site de cultura eletrônica a chamada da matéria dizia que Tomás era um bom jornalista, daqueles que vai a fundo nas histórias, e que para fazer Festa Infinita tinha até passado 30 horas num ônibus para conhecer os ravers, 20 dias acompanhando de perto a produção de um festival e, pasmem, tomado ecstasy. Depois disso desisti de vez do livro e entrevistas a respeito.


Para mim é evidente a irrelevância da publicação e imaturidade do autor, tanto pessoal quanto profissional. Falo isso com a qualidade de quem viu de perto o trabalho de Tomás e também como profissional de jornalismo. Não conheço, nem nunca ouvi falar, uma única escola de jornalismo no mundo que ensine a seus alunos que para ser um bom profissional, sério e competente, o jornalista precise viver o que vivem seus entrevistados. Se fosse assim seria essa a profissão mais injusta de todas, um verdadeiro terror.

Imaginem pelo que passaria o pobre jornalista de guerra. Teria ele que atirar bombas e tomar tiros para compreender o tamanho do sofrimento na fronte? Pior, coitado daquele que fosse pautado para desvendar a prostituição nas ruas. Será que “o bom jornalista” precisaria mesmo partir libidinoso às ruas e vender prazeres sexuais para descobrir que ganhar a vida com o corpinho não é nada mole? Claro que não.

Ou seja, Tomás andou horas de ônibus para conhecer no máximo 40 participantes de uma festa que recebe 8 mil pessoas. Cadê a visão de quem foi de carro, de avião, de carona, de bike ou mesmo a pé (acreditem, tem gente que vai a pé). Passou 20 dias com a produção e não conheceu a fundo ninguém, pois até onde sei não tem um produtor da festa em questão que saiba, de fato, quem ele é. Recolheu informações sorrateiramente e ainda conseguiu distorce-las. E o pior (ou mais engraçado, já nem sei mais), tomou ecstasy porque quis. Jornal nenhum do mundo pediria ou o obrigaria seu funcionário a tomar algo para conceder maior veracidade à matéria.

O bom jornalista é aquele que fala com o maior número de pessoas possível a respeito do assunto, gente de diferentes ângulos de observação dentro do ocorrido e, principalmente, diferentes opiniões. Um balanço de todos os relatos captados conduz a linha da reportagem. Essa é a analise proporcional dos fatos que, junto a uma pesquisa prévia sobre o assunto, garante a riqueza da matéria.

Com tanta coisa pra contar mais uma vez a cena eletrônica é divulgada pela ótica das drogas, visão completamente parcial do todo. Logo na capa a referência “entorpecente mundo das raves”, e se isso não é referência eu não sei mais o que pode ser. Quem sabe não terá sido uma bad trip do autor?

Enfim o que quero mesmo é fazer um alerta a todos que curtem e trabalham sério na cena eletrônica. Cuidado! Movimentos de contracultura sempre foram prato cheio para mídia marrom, sensacionalista e superficial, que está aí só para chamar a tenção e ganhar dinheiro.

É preciso sim se divertir, fazer amigos, socializar. É principalmente para isso que as festas existem. Celebre sempre! Porém não se esqueçam que não somos mais cem cabeças na pista. Hoje somos milhares e é preciso se preservar.

Se abra com o seu amigo, com o amigo do seu amigo. Passou disso, até segunda ordem, seja apenas gentil. Tem muita gente estranha chegando de curioso na cena, gente que não sabe o valor do processo coletivo, a riqueza do trabalho em comunidade, gente pensando sempre em benefício próprio.
Em tristes episódios como esse, em que somos alvos do olhar raso dos outros, busco conforto na lembrança de artistas brilhantes como a banda Secos e Molhados que, mesmo em plena ditadura militar, não se calaram e ainda cantaram, em alto e bom som, “eles são muitos, mas não abem voar”.

(*) Milene é produtora cultural e jornalista formada pela Universidade de Brasília.